Por que, cara?
Pooooooooooor Queeeeeeeeee???
Eu não tinha muita escolha naquela hora. Uma vida estava
prestes a se perder na minha frente e eu jamais suportaria a visão da morte
daquele senhor na minha consciência.
- Ele não esta ouvindo, pequenina! – Eu disse abrindo caminho
entre as pessoas que se afastaram às pressas de mim. Pus uma das mãos sobre o
ônibus e ergui a roda traseira que esmagava o moribundo. Tirei-o debaixo do
ônibus e o deitei bem devagar sobre o asfalto quente daquele horário. Quase
totalmente desfigurado, a única coisa que se podia reconhecer naquele senhor
eram os membros, o resto havia se transformado em uma polpa sangrenta de
espasmos. – Vorbis vitam restituit. – Comecei
a drenar meu espírito vivo para dentro daquele corpo quase morto e conforme eu
ia devolvendo o vigor da vida a ele os seus ferimentos lentamente se fechavam,
o corpo ia ganhando forma e mais uma vez a juventude iluminou as veredas do
velho senhor.- Vurge et reviviscant! Tempore mortem nunc non est! – Esbravejei
aquelas palavras que a muito não usava e uma luz quente brilhou com o som de um
trovão ao nosso redor. Ele estava salvo!
Naquele dia eu tive que fugir para o mais longe que pude.
Poucas pessoas acreditavam no que viram e como eu sabia que aquelas lembranças
poderiam repercutir em muitas coisas eu tive que removê-las das mentes de mais
de 1.500 pessoas. Não foi uma tarefa fácil, mas como havia sido bem marcante
para eles, as memórias estavam bem expostas nos seus pensamentos.